A recente imposição de tarifas elevadas pelos Estados Unidos revelou a necessidade urgente de diversificação das exportações da Bahia, que representa 47% das exportações do Nordeste, diante dos desafios internacionais.
Setores estratégicos como fruticultura, pesca e indústria já enfrentam desafios, mas também enxergam oportunidades para fortalecer a competitividade local e explorar novos mercados internacionais.
Com iniciativas focadas na inovação e na busca por parcerias comerciais diversificadas, a Bahia está transformando adversidades em impulso para o crescimento econômico sustentável.
Enquanto muitos empresários brasileiros buscam diálogo com representantes norte-americanos, a abertura de novos mercados se apresenta como uma estratégia natural e sustentável para o médio e longo prazo.
A lógica é clara e o principal objetivo é reduzir a concentração das vendas em um único destino, uma vez que isso evita possíveis vulnerabilidades. Como já destacou o investidor Warren Buffet, “não se deve colocar todos os ovos em uma mesma cesta”.
Fórum Agenda Bahia
Esses desafios internacionais estarão em pauta no fórum Agenda Bahia, promovido pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).
O evento, que há 16 anos discute os rumos do desenvolvimento baiano, vai tratar de três eixos principais:
- Potencial Produtivo dos Territórios: conectando oportunidades ao futuro do estado;
- O Futuro do Trabalho: competências, tecnologia e pessoas na nova economia;
- Negócios em Movimento: como empresas podem se preparar para os novos desafios.
Impactos imediatos e setores mais afetados
De acordo com Carlos Henrique Passos, presidente da Fieb, a retirada do setor de celulose da lista de produtos tarifados em até 50% foi um alívio importante, já que o item representava quase 30% das exportações da Bahia para os EUA.
Ainda assim, dois terços das vendas permanecem atingidos pelas tarifas, o que inviabiliza a competitividade. Diversas empresas já relatam cancelamento de pedidos e estão em busca de alternativas para reposicionar seus produtos em outros mercados.
Entre os setores mais impactados estão pneus, derivados de cacau, químicos e água de coco. Representantes dessas áreas integram uma missão empresarial aos EUA, marcada para setembro, liderada por Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Indústria química e petroquímica sob pressão
A indústria química e petroquímica baiana, por exemplo, que já enfrentava a concorrência de importados, também sofre com o tarifaço. A Fieb tem atuado em defesa do setor, apoiando debates sobre incentivos, medidas antidumping e alternativas estruturais, como a química verde.
Conforme o superintendente do Sebrae Bahia, Jorge Khoury, os impactos não se restringem às grandes exportadoras. Muitas micro e pequenas empresas prestam serviços terceirizados às grandes indústrias e podem ser diretamente afetadas pela queda no volume de negócios. Isso abrange desde etapas de produção até serviços de apoio, como segurança, transporte e alimentação.
Estratégias para diversificação
Ricardo Alban destacou a importância de buscar novos acordos comerciais, seja via Mercosul ou por meio de negociações bilaterais. Ainda, ele reforçou a necessidade de eliminar a bitributação, uma vez que esta prejudica a competitividade das empresas brasileiras em mercados externos.
Jorge Viana, presidente da Apex Brasil, defendeu a intensificação da diversificação comercial. Segundo ele, produtos afetados pelo tarifaço nos EUA representam um mercado de US$ 18 bilhões, mas há US$ 170 bilhões em potencial em outros países já identificados pela agência. Entre os mais dependentes do mercado norte-americano estão a água de coco (80% das exportações destinadas aos EUA) e o mel (quase 60%).
Então, para apoiar as empresas, a Apex anunciou crédito de R$ 240 milhões para abertura de novos mercados, além de ações voltadas à internacionalização, como participação em feiras e missões comerciais.
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